Enquanto a TV aberta tropeçava em suas maiores apostas, o streaming correu por fora e venceu com folga a disputa pelo público noveleiro neste ano. Beleza Fatal, da HBO Max, e Guerreiros do Sol, do Globoplay, provaram que ainda há fôlego –e ousadia– para reinventar a telenovela brasileira com qualidade, densidade dramática e estética refinada. O formato das novas produções streaming, com menos de 50 capítulos, permitiu que as tramas seguissem um ritmo ágil e com arcos narrativos bem definidos, enquanto as novelas de TV aberta, com mais de 200 capítulos, se destacaram pelo desgaste em suas tramas prolongadas. Ambas foram as grandes responsáveis por evitar que 2025 fosse um desastre para o gênero.
As emissoras tradicionais da TV aberta também tentaram revigorar a novela brasileira com produções como Dona de Mim e Êta Mundo Melhor!, mas essas ações não foram suficientes para evitar a derrota nas audiências. Dona de Mim, que teve uma boa expectativa para seu estreito, patinou por meses sem sair do lugar, enquanto Êta Mundo Melhor! acabou se revelando um repeat da produção anterior em vez de uma continuação. O estilo de produção das novas novela de streaming, em que as tramas são bem amarradas e possuem começo, meio e fim bem definidos, parece ter conquistado de vez os noveleiros.
Além disso, outro ponto importante neste desgaste foi o esgotamento do modelo tradicional de novela de TV aberta, com novelas muito longas. Beleza Fatal e Guerreiros do Sol, pelo contrário, foram as responsáveis por reverter, mesmo parcialmente, a baixa expectativa no gênero. O ano foi um duro lembrete de que as produções com o formato tradicional da TV aberta são as próprias causas do desgaste e desinteresse pelos públicos novela. O espetáculo parece ter entrado em um novo capítulo, com as novas produções streaming mostrando-se mais eficazes do que as antigas.